02/04/2013

Inglaterra e suas lendas: Glastonbury


A pequena cidade inglesa de Glastonbury está localizada no distrito de Mendip e é conhecida por sediar o Festival de Glastonbury, que reúne artistas de todo o mundo. A cidade do Condado de Somerset - Inglaterra, 50 km ao sul de Bristol, tem uma população em torno de 9000 habitantes. Veja o mapa: http://migre.me/dNvpe

Alguns pontos turísticos, como a Abadia de Glastonbury, o Glastonbury Lake Village e o Glastonbury Tor são excelentes atrativos que carregam grande parte da história local. Mas existem outras razões para visitar a pequena cidade.

Em Glastonbury a música, a cultura e a religião caminham juntas para que ela se consolide como extraordinário destino turístico. A cidade - que tem raízes no misticismo e do paganismo, além do catolicismo, na atualidade é rota de turismo religioso e de peregrinação. Algumas de suas belas igrejas - como a de St.John, são muito visitadas na cidade. A pousada histórica de George and Pilgrims Inn, construída para abrigar quem visita a abadia de Glastonbury é outro atrativo.

Também é conhecida por sua história, por locais como Glastonbury Lake Village, a Abadia de Glastonbury e a Glastonbury Tor, pelos mitos e lendas associados à cidade e pelo Festival de Glstonbury, que acontece – anualmente, no vilarejo próximo, Pilton. O festival remonta tempos dos antigos povos Celtas, cuja herança está presente em cada canto e em cada mistério na região – e representa rituais antigos de celebração ao solstício de verão.
História e mitologia

A cidade de Glastonbury é particularmente notável pelos mitos e lendas a respeito da colina próxima dali, a Glastonbury Tor, que reina solitária em meio ao resto completamente liso da paisagem de Somerset Levels. Esses mitos são a respeito de José de Arimatéia, do Santo Graal e do Rei Arthur.

A lenda de José de Arimatéia diz que Glastonbury foi o local de nascimento do Cristianismo nas ilhas britânicas e que a primeira igreja britânica foi construída lá, para guardar o Santo Graal - aproximadamente 30 anos após a morte de Jesus. A lenda também diz que um José mais jovem havia visitado Glastonbury com Jesus quando este ainda era pequeno e, provavelmente, tem origem na Idade Média, quando relíquias religiosas e peregrinações eram negócios lucrativos para as abadias. No entanto, William Blake acreditou nessa lenda e escreveu o poema que deu suas palavras à patriótica música inglesa Jerusalém.

O Pilriteiro

Diz-se que José chegou a Glastonbury num barco pela inundada e lendária Somerset Levels. Ao desembarcar, enfiou seu cajado no chão. O cajado floresceu miraculosamente numa árvore santa cujo nome é, literalmente traduzido, Pilriteiro de Glastonbury (ou Sagrado Pilriteiro). Esta é a explicação por trás da existência de uma árvore híbrida que só cresce dentro de algumas milhas de Glastonbury e que floresce apenas vezes ao ano - uma na primavera e outra no Natal (inverno no hemisfério norte). Cada ano um galho da árvore é cortado por um padre da Igreja local e pela criança mais velha da escola St.John's, e é depois enviado à rainha para que possa adornar sua mesa.


A árvore original era um centro de peregrinação na Idade Média, mas foi cortada durante a Guerra Civil, por um soldado teria atirado na árvore ao ter sua visão atrapalhada pela neblina. Uma árvore substituta foi plantada no século XX em Wearyall Hill - em 1951, para marcar o Festival da Bretanha. No entanto, a árvore teve de ser replantada no ano seguinte, já que a primeira tentativa não deu certo. Outras mudas, simbolizando a original, crescem por Glastonbury, incluindo os dos terrenos da Abadia de Glastonbury, da Igreja de St.John e Chalice Well.

A Lenda de Avalon

Em algumas versões do mito arturiano, Glastonbury é tida como a lendária ilha de Avalon. Uma antiga história galesa liga o rei Arthur a Tor, numa ocasião de luta entre ele e o rei celta Melwas, que aparentemente teria raptado a mulher de Arthur, a rainha Guinevere. A formação da região facilita este entendimento, porque a cidade está situada numa área inundável, em todo o seu perímetro e – no inverno, atacada por forte neblina.

Geoffrey de Monmouth identificou Glastonbury como Avalon pela primeira vez em 1133. Em 1191, monges alegaram ter achado os túmulos de Arthur e Guinevere ao sul da abadia. Os restos teria sido – posteriormente, retirados e perdidos durante a Reforma Religiosa. Muitos estudiosos suspeitam que essa descoberta foi forjada para sustentar a antiguidade da fundação da abadia e aumentar sua fama.

Também foi em Glastonbury, de acordo com algumas versões da lenda arturiana, o local em que Lancelote se recolheu em penitência após a morte de Arthur.
Boa parte da paisagem da Inglaterra rural é composta por fortificações e castelos de pedra. 

Acredita-se que a passagem do Rei Arthur e seus cavaleiros tenha produzido mais marcas no imaginário popular e nas crendices do que na História. Entretanto, em as expedições arqueológicas encontraram não só vestígios de um Arthur em carne e osso como também do seu refúgio, a lendária Ilha de Avalon, famosa por suas densas brumas e por abrigar aprendizes de magia, elfos, ninfas e sacerdotisas da lua. Avalon seria o refúgio de Arthur, que para lá se dirigia em busca de conselhos ou em busca de curas para ferimentos e enfermidades do corpo e da alma. 

Na realidade, Avalon pertence mesmo ao mundo da fantasia, embora muitos acreditem que a própria Glastonbury seja a lendária Avalon. De qualquer forma, milhares de visitantes e peregrinos, vindos de toda parte do mundo, visitam, anualmente, os verdes campos e imponentes castelos da região, e a maior parte deles crê na mística local e na lenda, como verdade.

Do Paganismo ao Cristianismo

Arthur é considerado por muitos um deus solar, graças à sua espada Excalibur "que reluz como trinta archotes" e por sua personalidade honesta, ética e brilhante. O mundo de Arthur é mágico e pagão e, não obstante, considerado uma porta de entrada para a afirmação do cristianismo. Sua Távola Redonda onde todos os cavaleiros sentavam-se em cadeiras iguais e onde não havia lugares especiais, ajudava a consolidar a crença de que todos eram iguais. A bandeira de Camelot era simbolizada pela cruz cristã e tinha a Ave Maria como protetora.

O Santo Graal

Materialmente simboliza o cálice que Jesus usou na Última Ceia. Após a crucificação, o bom fariseu José de Arimatéia teria se aproximado do corpo do Cristo e, com o cálice, recolhido gotas de seu sangue. Fugindo da perseguição aos seguidores do Cristo, escapa para a Bretanha, levando o cálice, surgindo, aí a lenda do cálice sagrado e, acredita-se, que quem beber do Santo Cálice, recebe a imortalidade. No ciclo arturiano, o Graal tem um significado mais simbólico. Representa a busca de um sentido interior, da própria recuperação da Fé. A busca do Graal, ordenada por Arthur, ferido em combate, simboliza a procura da Fé no amor Divino. Na lenda, o cavaleiro sem pecados Percival encontra o cálice, restabelecendo a paz.

A Origem de Avalon

Nas lendas celtas, Avalon é considerada a porta de passagem para outro nível de existência, baseada em magia e elevação espiritual. Avalon era chamada pelos povos antigos de "Ynis Vitrin" ou Ilha de Vidro, onde seres mágicos, imortais, vivem a eternidade.O nome Avalon é originário do semi-deus celta Avalloc.

Agora, verdade mesmo é  que os arqueólogos descobriram que os campos de Glastonbury, há milhares de anos, foram pântanos drenados, ou seja, a cidade já foi uma ilha, o que reforça sua proximidade com as lendas de Avalon.

Atual Glastonbury

Glastonbury hoje é um centro de turismo religioso e peregrinação e agrega valores oriundos do misticismo e paganismo em convívio com valores católicos, protestantes e anglicanos.

As ruínas da abadia estão abertas a visitação. A abadia teve um final violento com a sucessão de conflitos após a Reforma Religiosa, e suas partes foram sendo destruídas quando suas pedras foram retiradas para uso na construção local. Os restos da cozinha do Abade e a Lady Chapel estão muito bem preservadas. Também são atrativos o Museu Rural de Somerset e o celeiro restaurado da Abadia. Os pontos de interesse incluem a Igreja de St John, o Chalice Well e a pousada histórica George and Pilgrims Inn, construída para acomodar os visitantes da abadia.

A caminhada pela Tor até a torre no topo é muito dura, mas recompensada por vistas da área de Somerset. A vista, a 150 metros de altura dá espetacular visão de Glastonbury e torna fácil visualizar como Glastonbury foi uma ilha e, no inverno, os campos estão inundados, aumentando esta impressão.

Glastonbury recebeu cobertura da mídia em 1999, quando pés de maconha foram encontrados entre as plantas da cidade.

Como chegar

Em Londres é possível alugar um carro ou tomar um ônibus até Glastonbury, planície de Somerset, em b ao estrada num percurso de 150 km, ou cerca de 2 horas. De trem, com escala em Plymouth e chegada na estação de Castle Cary e, dali, de van, táxi ou ônibus até Glastonbury. A passagem aérea ida-e-volta entre Brasil e Londres fica entre US$ 900 e 1800, mais taxas de embarque, dependendo da temporada. Turistas, na Inglaterra são bem vindos e não precisa visto prévio, mas o rigor na entrada é europeu, mas com educação inglesa. É necessário apresentar recursos necessários para prover a viagem, cartão de crédito (ou débito pré-pago) “coxudo”, voucher de hotéis e serviços e passagem de volta marcada.

Glastonbury Festival

Glastonbury Festival é o maior de música de raiz e realizar festival de artes do mundo e um modelo para todos os festivais que vieram depois dele. The difference is that Glastonbury has all the best aspects of being at a Festival in one astonishing bundle. A diferença é que Glastonbury tem todos os melhores aspectos de estar em um festival em um pacote surpreendente. Sua primeira edição aconteceu um dia após a morte de Jimi Hendrix, em 1970.

O Festival de Glastonbury (em inglês: Glastonbury Festival), também conhecido apenas como Glasto), oficialmente Glastonbury Festival of Contemporary Performing Arts, é o maiorfestival de música a céu aberto do mundo. Conhecido principalmente por suas apresentações musicais, também possui atrações de dança, humor, teatro, circo, cabaré e outras formas de arte. Em 2005 a área do festival cobria cerca de 3,6km quadrados, teve por volta de 385 apresentações ao vivo e público de aproximadamente 150 mil pessoas.

Criado por Michel Eavis, como muitos dos festivais criados no mesmo período, Glastonbury foi influenciado pela cultura hipiie e especialmente pelo Festival da ILha de Wigth. Eavis declarou que decidiu organizar o primeiro festival, chamado então de Pilton Festival, após assistir a uma apresentação a céu-aberto do Led Zeppelin em 1970. O festival ainda mantém vestígios desta tradição, incluindo as áreas Green Futures/Healing Fields e a sua reputação pelo consumo de drogas.  Mais informações em www.glastonburyfestivals.co.uk

João Gilberto e o RH (*)


Publicado em www.boraver.com (27/11/2012): http://migre.me/dXgPY

As empresas multinacionais e as grandes empresas brasileiras estão cada vez mais preocupadas com seu time de colaboradores (funcionário é uma palavra proibida entre o pessoal do RH).

O acesso a capital abundante e financiamento barato diminuem as barreiras de entrada e são cada vez mais as pessoas que fazem a diferença no resultado da empresa.


Como consequência disso seus departamentos de Recursos Humanos (o antigo DP, mais um termo proibidaço) vem ganhando força.  Com cada vez mais gente e recursos, os RH se dedicam incessantemente a identificar, contratar e reter "talentos", identificar os "gaps" dos seus profissionais, avaliar constantemente seu quadro de pessoas e montar uma "linha de sucessão". É importante identificar os "high potentials", de forma a treiná-los, motivá-los e remunerá-los adequadamente.


Até pouco tempo atrás um Gerente Jurídico, por exemplo, precisava conhecer do assunto e entregar no prazo pareceres, contratos e outros documentos.  Hoje isso não basta: é preciso ter espírito de liderança, saber trabalhar em equipe, pensar "fora da caixa", fazer mais com menos, ter "executive presence", possuir "people skills", poder de negociação etc.  É de se esperar que o contrato que você precisa não chegue no prazo...


Entregar é importante, é fundamental ter comprometimento, mas tudo isso sem esquecer as não menos importantes "competências" descritas acima, o colaborador precisa ser uma espécie de Roger Federer, que joga 5 sets e termina o jogo com cara de quem acabou de sair do banho.


A avaliação constante é imprescindível, normalmente em 360 graus, e muitas empresas começam a adotar uma reunião de gestores para discutir forças e "gaps" dos talentos subordinados a cada um.


Nesta reunião é comum o Diretor industrial emitir comentários sobre o pobre coitado do gerente jurídico, apesar do mesmo não ser subordinado a ele.  É preciso atender bem não apenas seu chefe, mas seus pares e "clientes internos".


Segue abaixo uma discussão sobre a performance do grande mestre João Gilberto pela diretoria:

- Bom, vamos agora ao João Gilberto. Gostaria de começar pelas forças e depois falar dos "gaps".
- Sem dúvida, o João é um profissional competente no que faz, conhece do assunto e entrega seu trabalho com qualidade.

- Pois é, é um profissional senior, experiente, muito atento aos detalhes.

- Passa senioridade no vestir, está sempre de terno, é discreto.

Porém...

- Bom, a primeira coisa que me incomoda no João é a dificuldade que ele tem em trabalhar em equipe, é sempre aquela coisa "um banquinho, um violão", não percebo ele interagindo muito com outros colegas.

- Além do mais, percebo no João uma certa resistência a mudanças, esse negócio de "só danço samba, só danço samba" ficou ultrapassado, o gestor moderno precisa dançar conforme a música, ter flexibilidade.
- Concordo, em alguns casos percebo que ele não promove a diversidade, um valor essencial da empresa, me preocupa essa atitude de "quem não gosta de samba, bom sujeito não é".
- Verdade, não queremos ter uma equipe homogênea, a diversidade e a aceitação de diferentes pontos de vista é fundamental.
- Vejo nele uma certa resistência em relação a "feedbacks" negativos, essa coisa de mandar a plateia calar a boca e falar que "vaia de bêbado não vale" não leva a nada.
- Devemos entender o motivo da vaia para promover uma constante melhora em nossos processos.

Alguém tem mais alguma coisa a dizer?


- Creio que o cancelamento do show em São Paulo em cima da hora foi uma atitude inaceitável.

- Pois é, é uma pena, depois as pessoas reclamam que não têm oportunidade.  Quando têm, jogam fora.
- Esses pontos que levantamos não são de hoje, há anos damos o mesmo feedback e ele não muda.
- Concordo, é uma pena demitir um profissional como o João, que já contribuiu tanto para essa organização, mas não creio que exista outra opção...