30/07/2014

A Maldição de Malinche

No inicio de 1519 quando a armada espanhola - sob o comando de Hernán Cortéz, chegou às praias mexicanas, os chefes aztecas logo trataram de presentear o importante chefe com algumas preciosidades, incluindo aí, vinte jovens meninas escravas  aprisionadas pelos aztecas à outros povos por eles dominados. Dentre estas jovens estava Marina, (ou Malintzin, ou ainda, Malinche, em espanhol). A jovem era muito bonita e logo tornou-se amante de Hernán Cortéz, que descobriu muito mais valores do que a beleza naquela mulher. Pela sua origem nobre entre os Toltecas conquistados pelos Aztecas - ela era muito culta e falava os vários idiomas dos diversos povos do novo continente. Pela sua facilidade com as línguas, rapidamente aprendeu o espanhol, tornando-se - além de namorada do comandante, peça muito importante na conquista daqueles povos. 


Os espanhóis conseguiram muitos aliados com o trabalho de Malinche contra os poderosos Aztecas. O talento para a negociação era uma característica marcante da bela jovem, que ajudou os espanhóis na tentativa de, a princípio, estabelecer relações amigáveis com o império Azteca e a conquistar aliados entre outros povos indígenas explorados pelos próprios aztecas, como os cempolanos - os primeiros índios a se juntarem aos espanhóis na guerra com os aztecas, e Malinche foi hábil em conquistar o apoio de milhares de guerreiros de diversas etnias indígenas, sem os quais a conquista espanhola teria levado muito mais tempo para acontecer. 


Malinche teve um filho com o espanhol Cortéz, batizado Martín Cortéz, que tornou-se oficial da armada espanhola e chegou a ser Comendador da Ordem de São Tiago. É conhecido como o "primeiro mexicano" por representar o início da miscigenação na América. Mais tarde, em 1548, este mestiço foi executado no garrote vil, sob a acusação de conspiração contra o Vice-Rei. 

A história desta mulher e toda a tragédia que a envolve, tornando-a símbolo da miscigenação no continente, aliada à extrema fidelidade dela à seu senhor, deu origem ao mito da "Maldição de Malinche", que passou a expressar a situação de dominação e subordinação dos mexicanos - por extensão, os povos originários do continente americano, a interesses estrangeiros, a partir da "traição" de Malinche.

Em 1973, o compositor Gabino Palomares escreveu a obra "Maldición de Malinche", imortalizada na voz da intérprete, também mexicana e descendente de aztecas, Amparo Ochoa:

Para ver e ouvir o clipe: http://youtu.be/eyUwolkWINk

Del mar los vieron llegar
mis hermanos emplumados
Eran los hombres barbados
de la profecía esperada
Se oyó la voz del monarca
de que el dios había llegado.
Y les abrimos la puerta
por temor a lo ignorado.

Iban montados en bestias
como demonios del mal
Iban con fuego en las manos
y cubiertos de metal.
Sólo el valor de unos cuantos
les opuso resistencia
Y al mirar correr la sangre
se llenaron de verguenza.

Porque los dioses ni comen
ni gozan con lo robado
Y cuando nos dimos cuenta
ya todo estaba acabado.
Y en ese error entregamos
la grandeza del pasado
Y en ese error nos quedamos
trescientos años esclavos.

Se nos quedó el maleficio
de brindar al extranjero
Nuestra fe, nuestra cultura,
nuestro pan, nuestro dinero.
Y les seguimos cambiando
oro por cuentas de vidrio
Y damos nuestras riquezas
por sus espejos con brillo.

Hoy, en pleno siglo veinte
nos siguen llegando rubios
Y les abrimos la casa
y les llamamos amigos.
Pero si llega cansado
un indio de andar la sierra
Lo humillamos y lo vemos
como extraño por su tierra.

Tu, hipócrita que te muestras
humilde ante el extranjero
Pero te vuelves soberbio
con tus hermanos del pueblo.
Oh, maldición de Malinche,
enfermedad del presente
¿Cuándo dejarás mi tierra..?
¿cuándo harás libre a mi gente?


Tradução:

Do mar os viram chegar
Meus irmãos emplumados
Eram os homens barbados
Da profecia esperada
Se ouviu a voz do monarca
De que o deus havia chegado
E lhes abrimos a porta
Por temor ao ignorado

Iam montados em bestas
Como demônios do mal
Iam com fogo nas mãos
E cobertos de metal
Só o valor de uns quantos
Lhes opôs resistência
E a olhar correr o sangue
Se encheram de vergonha

Porque os deuses nem comem
Nem gozam com o roubado
E quando nos demos conta
Já estava tudo acabado
E em esse erro entregamos
A grandeza do passado
E em esse erro nós ficamos
Trezentos anos escravos

Só nos ficou o malefício
De brindar ao estrangeiro
Nossa fé,nossa cultura
Nosso pão,nosso dinheiro
E lhes seguimos trocando
Ouro por contas de vidro
E damos nossas riquezas
Por seus espelhos com brilho

Hoje,em poleno século vinte
Nos seguem chamando loiros
E lhes abrimos a casa
E lhes chamamos amigos
Mas se chega cansado
Um índio de andar a serra
O humilhamos e o vemos
Como estranho por sua terra

Tu,hipócrita que te mostras
Humilde ante o estrangeiro
Mas te voltas soberbo
Com seus irmãos do povo
Oh,maldição de Malinche
Enfermidade do presente
Quando deixarás minha terra?
Quando farás livre a minha gente?